#2: Re: 4º Concurso Nacional de Acrobacia Indoor (F3P) - Sto Tir Author: VIGA,
Posted in this forum: Sun 07-03-2010, 12:16
Boas,
Realizou-se ontem, sábado, o 4º concurso nacional de acrobacia indoor no magnífico pavilhão da cidade de Sto Tirso.
Elevado nível competitivo, com momentos de particular expressividade estética nas coreografias dos Aeromusicais que os concorrentes prepararam para concurso, com referência particular para o protótipo de um sistema passo variável desenvolvido por Andres Leoni, de um funcionamento absolutamente eficaz e silencioso que tudo leva a crer será produzido brevemente por uma marca bem conhecida de todos nós (naturalmente não "Chinesa"). Parabéns Andres!
No final do concurso, conforme agendado e publicitado previamente, realizou-se um momento lúdico diversificado com voos exemplificativos comentados, largada de modelos de voo livre, repetição do Aeromusical vencedor, terminando com um ultimo momento dedicado às calorosas e participadas corridas de pilon para gáudio do público e dos participantes.
Nº de concorrentes: 10
Divisão por classes: F3P-A = 3 concorrentes / F3P-B = 7 concorrentes / Aeromusicais = 3 concorrentes
Dos 7 concorrentes presentes, 7 são companheiros vindos de espanha (não apenas da Galiza pois alguns fizeram 1000Km para estarem presentes…), e 3 são companheiros nacionais, oriundos do clube organizador (LAC - Liga de Aeromodelismo do Cávado).
Da constatação deste facto, no mínimo um pouco paradoxal e sociologicamente complexo, obrigo-me à formulação de um conjunto de questões no sentido da interpretação dos acontecimentos e revisão de procedimentos para realizações futuras, Consciente que a prática aeromodelistica tem uma distribuição piramidal, com a competição situada no topo, é inteligível o possível nº reduzido de praticantes mais acérrimos competindo, no entanto, poucos não significa nenhuns (para não quantificar negativamente dado o frequente escárnio e mal dizer)
Parto de algumas premissas de base para a realização desta actividade, desde a sua 1ª realização, como sendo:
▪ Competir e participar em concursos desportivos é uma forma de nos situar-mos relativamente ao estado efectivo da nossa performance num dado momento, de poder-mos comparar o nosso desempenho pela avaliação segundo critérios sistemáticos de um júri tecnicamente creditado, incrementando assim fortemente a possibilidade de evoluir pela aprendizagem de técnicas e procedimentos com aqueles que, num dado momento, sabem um pouco mais que nós.
▪ Conseguir ter presente todos os anos figuras de reconhecido prestigio internacional como tem sido apanágio da organização ao longo dos eventos realizados até hoje, constitui uma forma de contribuir para o desenvolvimento da modalidade, criando a possibilidade de se assistir aqui tão próximo a demonstrações e voos de grande espectacularidade e elevado nível técnico, o que constitui um elemento fortemente motivador, de desenvolvimento e disfrute para todos quantos se interessam por aeromodelismo particularmente no que concerna "à arte de bem voar" (participando ou assistindo).
▪ A existência de actividades paralelas (exposições, simuladores, ateliers infantis, concurso de escala, etc.) tem sido outra das preocupações da organização, no sentido de permitir a diversificação do momento criando condições de grande abrangência para um maior agrado geral.
Assim, pergunto-me:
▪ Será assim tão banal e frequente a realização de eventos congéneres no nosso meio?
▪ Que omisso estará cometendo a organização para que os meio aeromodelistico se alheie completamente da sua existência, não concorrendo nem assistindo?
▪ A grande maioria dos aeromodelistas diverte-se fortemente voando com schok flyers e modelos derivados, assistido-se nos fóruns à descrição da realização dos maiores malabarismos acrobáticos. Serão os programas de F3P assim tão complexos ou diferentes para não causar o mínimo interesse de tantas centenas de exímios pilotos? Ou seremos apenas os maiores nos nossos bairros ao velho jeito do provérbio que preconiza que em terra de cegos quem tem olho é o maior do seu sitio…
▪ Será que a organização deveria proporcionar a consulta individualizada de todos os aeromodelistas nacionais, facultando-lhes o transporte individualizado a hora marcada para assim poderem estar presentes?
▪ Teremos assim todos os anos tantos afazeres ou obrigações face aos quais não possamos tomar atempadamente as devidas medidas que possibilitem estar livres nos eventos que os interessam?
▪ A 2ª cidade do país (Porto) dista uns afastadissimos 10km com mais alguns Kms para as terras da sua periferia. Das terras da capital já falamos nuns quase intransponíveis 300km aos quais se acrescenta um velho problema relacionado com o "subir à província", essas longínquas terras de bárbaros ainda mal desbravadas onde a cultura apenas vai chegando em pequenas amostras, dado o estado embrionário de desenvolvimento dos seus povos. É sempre mais fácil a deslocação nacional para Sul que para Norte (deve existir um grande gradiente de altitude de Sul para Norte) ou então só mesmo os nossos vizinhos espanhóis terão conhecido um desenvolvimento natural que lhes permita fazer 1000Km pelo simples gozo de estar com amigos, divertindo-se, competindo e aprendendo novas técnicas de um hobby que tanto gostamos.
Considerando que falamos de um hobby que tanto nos apraz, que tantas horas nos ocupa, para o qual dispendemos parte das verbas que tanto nos custam a arrecadar, devo pensar que isto pouco deve ter a ver com aeromodelismo ou com o aeromodelismo que as nossas gentes procuram.
▪ De que falamos quando falamos de aeromodelismo?
▪ Que realidade queremos para a nossa praxis aeromodelistica?
▪ Seremos um país condenado à fatalidade redutora traduzida numa prática exclusiva dos ENCONTROS DE AEROMODELISMO em que todos ganham, cada um ao seu jeito? (o que vem de mais longe, o que vem de mais perto, o maior desastre do dia, o parceiro com o modelo mais feio, o mais gigante, o mais mal acabado, o incompleto, etc. etc.)
▪ Que postura queremos ter relativamente ao resto do mundo? Somos Europeus porque estamos fisicamente colados à Europa ou porque participamos activamente no seu devir ? Preferiremos a perpetuação do nosso estado periférico peninsular saudoso do que parece ser o único tempo longínquo em que se fomos falados no mundo (descobrimentos), mantendo-nos na contemporaneidade apenas pelos aspectos mais negativos (défice, baixa produtividade, índices culturais limite, cidadania apenas para os outros, etc.)
Desculpem o desabafo, sou habitualmente mais reservado, falo de todos e de ninguém ao mesmo tempo. É efectivamente o que me ocorre dizer depois do esforço dispendido ao longo destes anos com a melhor das intenções.
Um agradecimento a todos os colaboradores habituais, que todos os anos trabalham voluntária e empenhadamente:
Câmara Municipal de Sto Tirso
LAC - Liga de Aeromodelismo do Cávado
Staff LAC
JUIZES
ROI IMPORT
AEROVOLT.COM
Aeromodelistas presentes habitualmente (particular abraço a Andres Leoni que não se poupa a esforços para estar presente)
Vitor Gandarela
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